Criação

CRIAÇÃO

A criação do Universo se deu pela manifestação do Verbo Divino. De fato, o Universo foi criado pela vontade de Deus.

38. Como criou Deus o Universo?
“Para me servir de uma expressão corrente, direi: pela sua Vontade. Nada caracteriza melhor essa vontade onipotente do que estas belas palavras da Gênese – “Deus disse: Faça-se a luz e a luz foi feita.”
(O Livro dos Espíritos)

Da mesma forma, os Espíritos ensinam acerca da transitoriedade do que é criado.

41. Pode um mundo completamente formado desaparecer e disseminar-se de novo no Espaço a matéria que o compõe?
“Sim, Deus renova os mundos, como renova os seres vivos.”
(O Livro dos Espíritos)

ETERNIDADE DO UNIVERSO

Por outro lado, Kardec menciona a eternidade do Universo.

Se bem compreendemos a relação, ou, antes, a oposição entre a eternidade e o tempo, se nos familiarizamos com a idéia de que o tempo não é mais do que uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias, ao passo que a eternidade é essencialmente una, imóvel e permanente, insuscetível de qualquer medida, do ponto de vista da duração, compreenderemos que para ela não há começo, nem fim.
Doutro lado, se fazemos idéia exata – embora, necessariamente, muito fraca – da infinidade do poder divino, compreenderemos como é possível que o Universo haja existido sempre e sempre exista. Desde que Deus existiu, suas perfeições eternas falaram. Antes que houvessem nascido os tempos, a eternidade incomensurável recebeu a palavra divina e fecundou o espaço, eterno quanto ela.
(A Gênese – pág. 113) (Grifei)

Portanto, segundo a Doutrina Espírita o Universo é eterno enquanto objeto do Verbo Divino. Sem embargo, Kardec expressa uma idéia também presente em outras correntes espiritualistas: o repouso absoluto antes da primeira criação.

Existindo, por sua natureza, desde toda a eternidade, Deus criou desde toda eternidade e não poderia ser de outro modo, visto que, por mais longínqua que seja a época a que recuemos, pela imaginação, os supostos limites da criação, haverá sempre, além desse limite, uma eternidade – ponderai bem esta idéia -, uma eternidade durante a qual as divinas hipóstases, as volições infinitas teriam permanecido sepultadas em muda letargia inativa e infecunda, uma eternidade de morte aparente para o Pai eterno que dá vida aos seres; de mutismo indiferente para o Verbo que os governa; de esterilidade fria e egoísta para o Espírito de amor e vivificação.
(A Gênese – pág. 113) (Grifei)

REPOUSO ABSOLUTO

Essa idéia de repouso absoluto anterior à primeira criação não contradiz a perenidade do Universo na medida em que o repouso absoluto é do Verbo, ao qual se põe o espaço no aguardo da vivificação.

Compreendamos melhor a grandeza da ação divina e a sua perpetuidade sob a mão do Ser absoluto! Deus é o Sol dos seres, é a Luz do mundo. Ora, a aparição do Sol dá nascimento instantâneo a ondas de luz que se vão espalhando por todos os lados, na extensão. Do mesmo modo, o Universo, nascido do Eterno, remonta aos períodos inimagináveis do infinito de duração, ao Fiat lux! do início.
(A Gênese – pág. 113) (Grifei)

Novamente a idéia do fluido cósmico universal é apontada como o elemento que se difunde no todo universal.

A matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos que estadeiam suas magnificências diante da eternidade. Ela é a mãe fecunda de todas as coisas, a primeira avó e, sobretudo, a eterna geratriz. Absolutamente não desapareceu essa substância donde provêm as esferas siderais; não morreu essa potência, pois que ainda, incessantemente, dá à luz novas criações e incessantemente recebe, reconstituídos, os princípios dos mundos que se apagam do livro eterno.
A substância etérea, mais ou menos rarefeita, que se difunde pelos espaços interplanetários; esse fluido cósmico que enche o mundo, mais ou menos rarefeito, nas regiões imensas, opulentas de aglomerações de estrelas; mais ou menos condensado onde o céu astral ainda não brilha; mais ou menos modificado por diversas combinações, de acordo com as localidades da extensão, nada mais é do que a substância primitiva onde residem as forças universais, donde a Natureza há tirado todas as coisas.
(A Gênese – págs. 115/116) (Grifei)

PROVIDÊNCIA DIVINA

Tema intimamente relacionado é a Providência Divina. Kardec preocupou-se em abordá-la diretamente em A Gênese:

A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a ação providencial.
(A Gênese – pág. 60)

O mecanismo dessa providência é esboçado sob a ressalva de ser uma imagem imperfeita. Kardec fala de um fluido suficientemente sutil para tudo interpenetrar. Tal fluido, como ocorre com o fluido do perispírito, não é a sede da inteligência mas é o veículo da inteligência que a ele se vincula. Kardec não tem certeza de que assim ocorra com o pensamento do Criador, mas aponta nesse modelo a onipresença e onisciência que permitem sua pronta atuação em tudo o que existe, como no conceito da Providência Divina. Adiante o trecho:

Seja ou não assim no que concerne ao pensamento de Deus, isto é, quer o pensamento de Deus atue diretamente, quer por intermédio de um fluido, para facilitarmos a compreensão à nossa inteligência, figuremo-lo sob a forma concreta de um fluido inteligente que enche o universo infinito e penetra todas as partes da criação: a Natureza inteira mergulhada no fluido divino. Ora, em virtude do princípio de que as partes de um todo são da mesma natureza e têm as mesmas propriedades que ele, cada átomo desse fluido, se assim nos podemos exprimir, possuindo o pensamento, isto é, os atributos essenciais da Divindade e estando o mesmo fluido em toda parte, tudo está submetido à sua ação inteligente, à sua previdência, à sua solicitude. Nenhum ser haverá, por mais ínfimo que o suponhamos, que não esteja saturado dele. Achamo-nos então, constantemente, em presença da Divindade; nenhuma das nossas ações lhe podemos subtrair ao olhar; o nosso pensamento está em contacto ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Estamos nele, como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo.
(A Gênese – pág. 62)

Os acontecimentos que envolvem interesses gerais da Humanidade têm a regulá-los a Providência. Quando uma coisa está nos desígnios de Deus, ela se cumpre a despeito de tudo, ou por um meio, ou por outro.
(A Gênese – pág. 364)

PANTEÍSMO

O Panteísmo é afastado em O Livro dos Espíritos. As orientações constantes da obra são enfáticas em apontar a existência de Deus independentemente de toda a sua criação. Não se confundem, pois, Criador e Criação. Mas é também destacado que o homem não pode ainda compreender certos aspectos de Deus, até mesmo com uma advertência da falta de propósito em perder-se nas labirínticas cogitações desse tema.

14. Deus é um ser distinto, ou será, como opinam alguns, a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas?
“Se fosse assim, Deus não existiria, porquanto seria efeito e não causa. Ele não pode ser ao mesmo tempo uma e outra coisa.
“Deus existe; disso não podeis duvidar e é o essencial. Crede-me, não vades além. Não vos percais num labirinto donde não lograríeis sair. Isso não vos tornaria melhores, antes um pouco mais orgulhosos, pois que acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, consequentemente, de lado todos esses sistemas; tendes bastantes coisas que vos tocam mais de perto, a começar por vós mesmos. Estudai as vossas próprias imperfeições, a fim de vos libertardes delas, o que será mais útil do que pretenderdes penetrar no que é impenetrável.”
(O Livro dos Espíritos)

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Sobre o Autor

Marco Aurélio Leite da Silva

já publicou 15 artigos em nosso site.

A busca sincera pelas verdades espirituais impulsiona o ser no binômio Amar / Estudar. É preciso sempre e sempre nos colocarmos diante da Vida como aprendizes, sem preconceitos, sob a ótica de um universalismo que não admite fronteiras de espécie alguma, ainda menos quanto à origem dos ensinamentos que a Tradição Esotérica de todos os Povos registra no seio de toda a humanidade.

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