Qual é o momento certo?

Sinto certo incômodo ao perceber que, com o passar dos anos, se torna uma tendência, quando se trata da transformação moral pela qual passaremos todos, mais cedo ou mais tarde, o retardo na nossa caminhada e a fácil aceitação dos percalços que encontramos por esses caminhos tortuosos da existência.

Nestas horas, acompanhando este desconforto, surgem questionamentos como: Existe um momento exato para a nossa transformação moral? Se existe, onde ele está? Como podemos ir ao seu encontro?

Estagnamos na nossa caminhada evolutiva e, como justificativa para essa interrupção, normalmente, utilizamos o termo “momento”.

Na nossa inércia, a impressão que fica é que dificilmente encontraremos a hora da modificação interior, do autoburilamento, da modificação moral proposta pelo mestre Jesus e corroborada pela doutrina kardequiana. Utilizamos o termo como se fosse um muro intransponível entre nós e o nosso ser interior em busca da perfeição. Como já nos orientou um sábio do passado “somos os artífices dos nossos destinos” e nesta oficina de trabalho a principal ferramenta que possuímos é o livre-arbítrio, que classifico como a maior bênção que poderíamos ter recebido do Criador para o nosso processo reencarnatório. É através do livre-arbítrio que podemos, e devemos, mudar, para melhor, os nossos caminhos.

A inteligência universal quando nos presenteou com este atributo me parece que tinha como intenção que buscássemos, em nós mesmos, a capacidade de optar pelas experiências mais enriquecedoras para a nossa existência, não unicamente o melhor para uma passagem momentânea – o que são 60 ou 70 anos de vida comparado com a eternidade? – mas o que essas opções que tomamos hoje podem refletir mais adiante no nosso aprimoramento em busca da felicidade.

A divergência encontrada no termo “momento” passa por um processo de autoconhecimento, o qual requer a aceitação dos nossos vícios e das nossas fraquezas, contudo, requer inclusive, o reconhecimento das nossas virtudes buscando potencializá-las para que mais tarde essas nossas falhas morais comecem a desaparecer aos poucos, de acordo como nosso trabalho e merecimento.

Tivemos muitos exemplos, em vários momentos da história, que nos servem como referência nesse processo de conversão moral. O impulso, em determinada ocasião, pode até ser externo, porém o trabalho é feito de forma intrínseca, buscando, como dito anteriormente, nas nossas virtudes o sustento que nos revigora e sustenta na tentativa da transposição deste alto e imponente muro da inação.

O espiritismo, codificado por Kardec há mais de 150 anos, nos propõe um despertar em totalidade, nos convidando a transformação moral que é o verdadeiro processo libertador.

Nas obras da parceria entre Divaldo e Joanna, dentre outras, vamos perceber que depende somente das nossas forças essas modificações morais que vão nos libertar do jugo das vaidades.

Entendemos, perfeitamente, que a vida é feita de momentos que surgem e que passam. De momento que marcam mais ou menos. Momentos de felicidade e de tristeza, mas não podemos interpretar essa palavra de forma equivocada, obstruindo a passagem da charrua da elevação espiritual.

O momento de decisão requer que estejamos firmes nos nossos propósitos. Assim como na vida, quando decidimos casar, quando decidimos ter filhos, requer absoluta certeza de que é realmente a nossa vontade. Não podemos hesitar na nossa decisão para que um pequeno acúleo não se transforme em arma dilacerante.

Na nossa modificação interior funciona de forma parecida. Vamos identificar o nosso principal vício, a essa altura já devemos ter descortinada essa fraqueza, e buscar batalhar, dia após dia, para vencê-lo, tendo como grande arma a nossa vontade de crescer. Nesta árdua tarefa teremos sempre ao nosso lado os mentores espirituais, enviados do Cristo, sempre a postos para nos auxiliar no que for necessário. Importante ressaltar que os espíritos não resolverão os nossos problemas. Certamente ajudarão, mas a solução depende somente de nós.

Espíritas, muito será cobrado a quem muito foi dado. Precisamos parar de nos esconder atrás do muro do momento, observando a nossa vida através de fendas, e começar, agora mesmo, a fazer um amanhã diferente, baseado na nossa modificação interior. Temos todas as ferramentas necessárias, basta somente que tenhamos a vontade de mudar e este sim é o grande desafio.

Jogar as máscaras no chão, aceitar quem realmente somos e mudar o que for necessário para que tomemos as rédeas da nossa evolução. Este, acredito eu, parece ser o grande desafio do “momento”.

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Sobre o Autor

ivancezar18

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Nasci em Salvador em 18/11/1980, graduado em administração e especialista em gestão e desenvolvimento de seres humanos. Trabalho há 9 anos com gestão de pessoas, sou trabalhador voluntário desde 2004, orador espírita e diretor doutrinário do Centro Espírita Lar João Batista (Salvador/Ba). Meu blog é: http://espacoholistico.blogspot.com/

One Comment em “Qual é o momento certo?”

  • ADILSON publicado em 25 setembro, 2010, 22:51

    se formassemos um legião com o seu pensamento irmão. com certeza estariamos em um patamar evolutivo diferene, saberiamos que ser ou não ser es a questão, nada mais é que um pensamento longinquo.

    A VERDADEIRA FORMA DE EVOLUIR ESTA NESTA SINTESE QUE NOS PRESENTEIA, MOSTRANDO QUE KARDEC, E OS ESPIRIOS SUPERIORES SEMPRE ESTAVAM CERTOS COM A QUESTÃO DA REFORMA ÍNTIMA.
    SEI O QUE SOU, MAS COMO DEIXAR D SER….???????????

    ÉA PERGUNTA DEMUITOS,
    PENSO QUE CAVE A CADA UM , POIS CADA UM CONHECE-SE A SI MESMO E SABE ONDE DEVE VIRAR A ESQUERDA, NÃO É MESMO
    ESPEREMOS QUE TODOS CONSIGAMOS

    PAZ E LUZ!

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