Revista Espírita sob direção Allan Kardec colhendo fatos
- sábado, julho 17, 2010, 11:44
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Se não se tratasse senão de uma coleta de fatos, a tarefa
seria fácil; eles se multiplicam em toda parte com tal rapidez que
não faltaria matéria; mas os fatos, por si mesmos, tornam-se
monótonos pela repetição e, sobretudo, pela similitude. O que é
necessário ao homem racional é algo que lhe fale à inteligência.
Poucos anos se passaram desde o surgimento dos primeiros
fenômenos, e já estamos longe da época das mesas girantes e
falantes, que foram suas manifestações iniciais. Hoje, é uma ciência
que revela todo um mundo de mistérios, tornando patentes as
verdades eternas que apenas pelo nosso espírito eram pressentidas;
é uma doutrina sublime, que mostra ao homem o caminho do dever,
abrindo o mais vasto campo até então jamais apresentado à
observação filosófica. Nossa obra seria, pois, incompleta e estéril
se nos mantivéssemos nos estreitos limites de uma revista anedótica,
cujo interesse rapidamente se esgotasse.
Talvez nos contestem a qualificação de ciência, que damos
ao Espiritismo. Certamente não teria ele, em nenhum caso, as características
de uma ciência exata, e é precisamente aí que reside o erro dos que o
pretendem julgar e experimentar como uma análise química ou um
problema matemático; já é bastante que seja uma ciência filosófica.
Toda ciência deve basear-se em fatos, mas os fatos, por si sós, não
constituem a ciência; ela nasce da coordenação e da dedução lógica
dos fatos: é o conjunto de leis que os regem. Chegou o Espiritismo ao
estado de ciência? Se por isto se entende uma ciência acabada, seria
sem dúvida prematuro responder afirmativamente; entretanto, as
observações já são hoje bastante numerosas para nos permitirem
deduzir, pelo menos, os princípios gerais, onde começa a ciência.
O exame raciocinado dos fatos e das conseqüências que
deles decorrem é, pois, um complemento sem o qual nossa publicação
seria de medíocre utilidade, não oferecendo senão um interesse muito
secundário para quem quer que reflita e queira inteirar-se daquilo
que vê. Todavia, como nosso fim é chegar à verdade, acolheremos
todas as observações que nos forem dirigidas e tentaremos, tanto
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quanto no-lo permita o estado dos conhecimentos adquiridos, dirimir
as dúvidas e esclarecer os pontos ainda obscuros. Nossa Revista será,
assim, uma tribuna livre, em que a discussão jamais se afastará das
normas da mais estrita conveniência. Numa palavra: discutiremos,
mas não disputaremos. As inconveniências de linguagem nunca foram
boas razões aos olhos de pessoas sensatas; é a arma dos que não
possuem algo melhor, voltando-se contra aqueles que dela se servem.
Embora os fenômenos de que nos ocupamos se tenham
produzido, nos últimos tempos, de maneira mais geral, tudo prova
que têm ocorrido desde as eras mais recuadas. Não há fenômenos
naturais nas invenções que acompanham o progresso do espírito
humano; desde que estejam na ordem das coisas, sua causa é tão
velha quanto o mundo e os seus efeitos devem ter-se produzido em
todas as épocas. O que testemunhamos, hoje, portanto, não é uma
descoberta moderna: é o despertar da Antigüidade, desembaraçada
do envoltório místico que engendrou as superstições; da Antigüidade
esclarecida pela civilização e pelo progresso nas coisas positivas.
A conseqüência capital que ressalta desses fenômenos
é a comunicação que os homens podem estabelecer com os seres
do mundo incorpóreo e, dentro de certos limites, o conhecimento
que podem adquirir sobre o seu estado futuro. O fato das
comunicações com o mundo invisível encontra-se, em termos
inequívocos, nos livros bíblicos; mas, de um lado, para certos céticos,
a Bíblia não tem autoridade suficiente; por outro lado, para os
crentes, são fatos sobrenaturais, suscitados por um favor especial
da Divindade. Não haveria aí, para todo o mundo, uma prova da
generalidade dessas manifestações, se não as encontrássemos em
milhares de outras fontes diferentes. A existência dos Espíritos, e
sua intervenção no mundo corpóreo, está atestada e demonstrada
não mais como um fato excepcional, mas como um princípio geral,
em Santo Agostinho, São Jerônimo, São João Crisóstomo, São
Gregório Nazianzeno e tantos outros Pais da Igreja. Essa crença
forma, além disso, a base de todos os sistemas religiosos. admitiram
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na os mais sábios filósofos da Antigüidade: Platão, Zoroastro,
Confúcio, Apolíneo, Pitágoras, Apolônio de TiaJ A N E I R O D E 1 8 5 8
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Se não se tratasse senão de uma coleta de fatos, a tarefa
seria fácil; eles se multiplicam em toda parte com tal rapidez que
não faltaria matéria; mas os fatos, por si mesmos, tornam-se
monótonos pela repetição e, sobretudo, pela similitude. O que é
necessário ao homem racional é algo que lhe fale à inteligência.
Poucos anos se passaram desde o surgimento dos primeiros
fenômenos, e já estamos longe da época das mesas girantes e
falantes, que foram suas manifestações iniciais. Hoje, é uma ciência
que revela todo um mundo de mistérios, tornando patentes as
verdades eternas que apenas pelo nosso espírito eram pressentidas;
é uma doutrina sublime, que mostra ao homem o caminho do dever,
abrindo o mais vasto campo até então jamais apresentado à
observação filosófica. Nossa obra seria, pois, incompleta e estéril
se nos mantivéssemos nos estreitos limites de uma revista anedótica,
cujo interesse rapidamente se esgotasse.
Talvez nos contestem a qualificação de ciência, que damos
ao Espiritismo. Certamente não teria ele, em nenhum caso, as características
de uma ciência exata, e é precisamente aí que reside o erro dos que o
pretendem julgar e experimentar como uma análise química ou um
problema matemático; já é bastante que seja uma ciência filosófica.
Toda ciência deve basear-se em fatos, mas os fatos, por si sós, não
constituem a ciência; ela nasce da coordenação e da dedução lógica
dos fatos: é o conjunto de leis que os regem. Chegou o Espiritismo ao
estado de ciência? Se por isto se entende uma ciência acabada, seria
sem dúvida prematuro responder afirmativamente; entretanto, as
observações já são hoje bastante numerosas para nos permitirem
deduzir, pelo menos, os princípios gerais, onde começa a ciência.
O exame raciocinado dos fatos e das conseqüências que
deles decorrem é, pois, um complemento sem o qual nossa publicação
seria de medíocre utilidade, não oferecendo senão um interesse muito
secundário para quem quer que reflita e queira inteirar-se daquilo
que vê. Todavia, como nosso fim é chegar à verdade, acolheremos
todas as observações que nos forem dirigidas e tentaremos, tanto
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quanto no-lo permita o estado dos conhecimentos adquiridos, dirimir
as dúvidas e esclarecer os pontos ainda obscuros. Nossa Revista será,
assim, uma tribuna livre, em que a discussão jamais se afastará das
normas da mais estrita conveniência. Numa palavra: discutiremos,
mas não disputaremos. As inconveniências de linguagem nunca foram
boas razões aos olhos de pessoas sensatas; é a arma dos que não
possuem algo melhor, voltando-se contra aqueles que dela se servem.
Embora os fenômenos de que nos ocupamos se tenham
produzido, nos últimos tempos, de maneira mais geral, tudo prova
que têm ocorrido desde as eras mais recuadas. Não há fenômenos
naturais nas invenções que acompanham o progresso do espírito
humano; desde que estejam na ordem das coisas, sua causa é tão
velha quanto o mundo e os seus efeitos devem ter-se produzido em
todas as épocas. O que testemunhamos, hoje, portanto, não é uma
descoberta moderna: é o despertar da Antigüidade, desembaraçada
do envoltório místico que engendrou as superstições; da Antigüidade
esclarecida pela civilização e pelo progresso nas coisas positivas.
A conseqüência capital que ressalta desses fenômenos
é a comunicação que os homens podem estabelecer com os seres
do mundo incorpóreo e, dentro de certos limites, o conhecimento
que podem adquirir sobre o seu estado futuro. O fato das
comunicações com o mundo invisível encontra-se, em termos
inequívocos, nos livros bíblicos; mas, de um lado, para certos céticos,
a Bíblia não tem autoridade suficiente; por outro lado, para os
crentes, são fatos sobrenaturais, suscitados por um favor especial
da Divindade. Não haveria aí, para todo o mundo, uma prova da
generalidade dessas manifestações, se não as encontrássemos em
milhares de outras fontes diferentes. A existência dos Espíritos, e
sua intervenção no mundo corpóreo, está atestada e demonstrada
não mais como um fato excepcional, mas como um princípio geral,
em Santo Agostinho, São Jerônimo, São João Crisóstomo, São
Gregório Nazianzeno e tantos outros Pais da Igreja. Essa crença
forma, além disso, a base de todos os sistemas religiosos. AdmitiramJ
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na os mais sábios filósofos da Antigüidade: Platão, Zoroastro,
Confúcio, Apuleio, Pitágoras, Apolônio de Tiana e tantos outros.
Nós a encontramos nos mistérios e nos oráculos, entre os gregos,
os egípcios, os hindus, os caldeus, os romanos, os persas, os chineses.
Vemo-la sobreviver a todas as vicissitudes dos povos, a todas as
perseguições e desafiar todas as revoluções físicas e morais da
Humanidade. Mais tarde a encontramos entre os adivinhos e
feiticeiros da Idade Média, nos Willis e nas Walkírias dos
escandinavos, nos Elfos dos teutões, nos Leschios e nos
Domeschnios Doughi dos eslavos, nos Ourisks e nos Brownies da
Escócia, nos Poulpicans e nos Tensarpoulicts dos bretões, nos Cemis
dos caraíbas, numa palavra, em toda a falange de ninfas, de gênios
bons e maus, nos silfos, gnomos, fadas e duendes, com os quais
todas as nações povoaram o espaço. Encontramos a prática das
evocações entre os povos da Sibéria, no Kamtchatka, na Islândia,
entre os indígenas da América do Norte e os aborígenes do México
e do Peru, na Polinésia e até entre os estúpidos selvagens da Nova
Holanda.
Sejam quais forem os absurdos que cercam essa crença
e a desfiguram segundo os tempos e os lugares, não se pode discordar
de que ela parte de um mesmo princípio, mais ou menos deturpado.
Ora, uma doutrina não se torna universal, não na e tantos outros.
Nós a encontramos nos mistérios e nos oráculos, entre os gregos,
os egípcios, os hindus, os caldeus, os romanos, os persas, os chineses.
Vemo-la sobreviver a todas as vicissitudes dos povos, a todas as
perseguições e desafiar todas as revoluções físicas e morais da
Humanidade. Mais tarde a encontramos entre os adivinhos e
feiticeiros da Idade Média, nos Willis e nas Walkírias dos
escandinavos, nos Elfos dos teutões, nos Leschios e nos
Domeschnios Doughi dos eslavos, nos Ourisks e nos Brownies da
Escócia, nos Poulpicans e nos Tensarpoulicts dos bretões, nos Cemis
dos caraíbas, numa palavra, em toda a falange de ninfas, de gênios
bons e maus, nos silfos, gnomos, fadas e duendes, com os quais
todas as nações povoaram o espaço. Encontramos a prática das
evocações entre os povos da Sibéria, no Kamtchatka, na Islândia,
entre os indígenas da América do Norte e os aborígenes do México
e do Peru, na Polinésia e até entre os estúpidos selvagens da Nova
Holanda.
Sejam quais forem os absurdos que cercam essa crença
e a desfiguram segundo os tempos e os lugares, não se pode discordar
de que ela parte de um mesmo princípio, mais ou menos deturpado.
Ora, uma doutrina não se torna universal, não sobrevive a milhares
de gerações, não se implanta de um pólo a outro, entre os povos
mais diversificados, pertencentes a todos os graus da escala social,
se não estiver fundada em algo de positivo. O que será esse algo? É
o que nos demonstram as recentes manifestações. Procurar as
relações que possam existir entre tais manifestações e todas essas
crenças, é buscar a verdade. A história da Doutrina Espírita, de
certo modo, é a história do espírito humano; teremos que estudá-la
em todas as fontes, que nos fornecerão uma mina inesgotável de
observações tão instrutivas quão interessantes, sobre fatos
geralmente pouco conhecidos. Essa parte nos dará oportunidade
de explicar a origem de uma porção de lendas e de crenças populares,
delas destacando o que toca a verdade, a alegoria e a superstição.
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No que concerne às manifestações atuais, daremos
explicação de todos os fenômenos patentes que testemunharmos
ou que chegarem ao nosso conhecimento, quando nos parecerem
merecer a atenção de nossos leitores. De igual modo o faremos em
relação aos efeitos espontâneos que por vezes se produzem entre
pessoas alheias às práticas espíritas e que revelam, seja a ação de
um poder oculto, seja a emancipação da alma; tais são as visões, as
aparições, a dupla vista, os pressentimentos, os avisos íntimos, as
vozes secretas, etc. À narração dos fatos acrescentaremos a
explicação, tal como ressalta do conjunto dos princípios. A respeito
faremos notar que esses princípios decorrem do próprio ensinamento
dado pelos Espíritos, fazendo sempre abstração de nossas próprias
idéias. Não será, pois, uma teoria pessoal que exporemos, mas a
que nos tiver sido comunicada e da qual não seremos senão meros
intérpretes.
Mel
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